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Tempestades

Diferentes temporais acontecem todos os dias numa empresa.


Eu voltava de uma reunião do escritório, da matriz. Semana longa. Quatro dias numa sala. E a última parte dela não tinha sido fácil.

Nosso chefe, o líder global do negócio, havia decidido dividir conosco um desafio financeiro que ele havia recebido de outra área da empresa.

Pelas contas iniciais, cada um de nós precisaria fazer cortes significativos no orçamento, para cobrir aquele déficit.

Ele pediu mais alguns dias, para confirmar o tamanho do desafio. Esse é um fantasma comum na cabeça de muitos executivos. O famoso gap.

Para resolver a questão, normalmente, são necessários cortes de despesa. Demissões. Reestruturações. Impactos negativos nos times. Nos colaboradores, e até nas famílias.

A ordem de grandeza do problema que escutamos, preocupou a todos. E claro, não iria sair da minha cabeça por um bom tempo.

Entro no avião naquela sexta-feira à noite, querendo que o voo durasse mais do que as nove horas normais. Queria mais tempo para encontrar uma solução para aquela situação.

Na segunda taça de vinho, começo a me perguntar se deveria informar o desafio à equipe. Já na segunda-feira? Ser rápido, proativo ou esperar?

O jantar acabava de ser servido.

O piloto da aeronave pede para todos ajustarem seus cintos de segurança. Diz que turbulências aparecerão mais adiante.

Tempo ruim seria o que eu teria de encarar, pensei comigo. Uma dura tempestade.

Sua voz, pausada, tranquila, chama minha atenção. Como são hábeis os pilotos para atravessar condições climáticas desfavoráveis. Inteligência emocional presente a todo momento.

A pergunta seguia dando voltas. Deveria avisar meu time sobre a formação da próxima tormenta? Ou esperar para conhecer mais detalhes sobre ela?

Melhor conhecer o tamanho da tempestade antes, pensei. Resolvi esperar alguns dias. Na prática, nada teria que ser resolvido até a chegada dela.

Decisão acertada aquela.

O desafio como um todo, era mesmo significativo. Mas foi distribuído de forma diferente para cada líder, cada organização. A parte que nos tocou foi bem aceitável. Não exigiu nenhum corte exagerado no orçamento. Nenhum ajuste de estrutura.

Diferentes temporais acontecem todos os dias numa empresa.

Entender quanto elas impactarão sua equipe e sua organização, é tarefa importante.

Sair comunicando todas elas, a todos, terminará gerando ansiedades desnecessárias. Já vi organizações paralisarem nessas situações.

É preciso conhecer o espaço no qual se navega.

Estar preparado para encontrar diferentes tormentas. Saber que algumas delas se dissiparão naturalmente na sua rota.

Controlar sua própria ansiedade para não criar alardes para as tripulações e seus passageiros.

Assim o fazem os melhores pilotos.

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Rodrigo San Martin

Rodrigo foi o primeiro CEO brasileiro a liderar filial europeia de uma grande

multinacional farmacêutica. Foi também o mais jovem latino-americano a liderar o

negócio de dispositivos médicos na região da América Latina, dentro da maior empresa de saúde do mundo.

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