top of page

Descobrindo os valores de uma organização

É preciso investigar o ambiente de trabalho antes de fazer uma escolha.


Quando a gente está à procura de trabalho, pensamos sempre em algumas organizações, nas quais sonhamos desenvolver nossas carreiras.

Não falta informação para nos ajudar a encontrar os lugares ideais. Rankings das melhores empresas. Missões e declarações inspiradoras descritas nos websites.

Estudar os valores que uma determinada instituição defende é sempre um passo importante nessa busca. Pensar sobre quais comportamentos de liderança você gostaria de encontrar no ambiente de trabalho.

Mas existe um aspecto ainda mais crítico nessa pesquisa. Esse nem sempre falado, discutido.

É preciso verificar o quanto as informações obtidas, correspondem à realidade.

Quantos casos acompanhei de líderes frustrados com um novo espaço de trabalho. Muitas vezes, em firmas premiadas, colocadas entre as melhores.

Casos nos quais, o escrito e divulgado, não correspondia à prática do dia a dia. Profissionais relataram surpresas desagradáveis logo nas suas primeiras semanas, num novo ambiente.

Empresas diziam priorizar desenvolvimento de talentos, mas seus chefes não abriam a agenda para conversar sobre o tema. Só tinham tempo para falar sobre resultados, ignoravam qualquer diálogo sobre carreira.

Organizações que propagavam valores de diversidade e inclusão. Mas, na maioria das reuniões, quase ninguém era ouvido. Opiniões diferentes eram prontamente ignoradas.

Lugares nos quais inovação era declarada como prioridade, mas na verdade, poucos recursos eram dedicados às iniciativas inovadoras. Seus colaboradores não se sentiam empoderados a explorar novas formas de fazer o trabalho. Seus gerentes tinham medo de arriscar.

Quanta frustração.

Expectativas enormes, criadas, antes de se tomar a decisão de se juntar a uma firma. Mas realidades encontradas bem diferentes daquelas descritas nas pesquisas, nos rankings e websites.

É mesmo preciso checar seus reais valores, antes de pensar em se juntar a ela.

Uma coisa é o que a organização declara. O que se diz, se prega. Outra, o que se pratica por seus profissionais. A realidade do dia a dia.

O tema da discrepância de comportamentos num ambiente de trabalho tem sido objeto de boas discussões entre os líderes. E estudado por alguns autores.

Richard Barrett, um dos grandes estudiosos dos temas organizacionais, explica: “um grande erro cometido pelos líderes mais seniores é acreditar que são eles que devem escolher os valores da empresa. Todos precisam estar envolvidos nessa escolha”.

Quando eles são decididos de cima para baixo perde-se uma grande oportunidade de definir e desenvolver um conjunto de forma coletiva, envolvendo os colaboradores. Deixa-se, assim, de conhecer quais valores já estão presentes em todo o corpo organizacional. Quais deveriam ser estimulados. Quais não.

Sem saber quais deles estão, de fato, presentes, líderes passam a focar em comportamentos já existentes. E perdem a oportunidade de desenvolver aqueles mais necessários.

Quem os escuta, percebe uma repetição desnecessária sobre o que já se pratica. E uma falta de atenção aos comportamentos faltantes. Normalmente, os mais críticos.

Richard Barrett, aponta, ainda, um outro fenômeno comum: muitas vezes os sistemas de uma organização não são integrados aos valores escolhidos. Declara-se um desejo, mas deixa-se de trabalhar nas condições para ele se concretizar.

Em outras palavras, não basta anunciar intenções. É preciso ajustar processos, sistemas, incentivos. Até estruturas se for o caso. Oferecer o sistema adequado para que seus líderes possam dar vida a elas.

Essa costuma ser a parte mais difícil da história. Prometer uma cultura única, ambiente de trabalho positivo, é tarefa relativamente fácil. Preparar a organização para viver o que se prega, tarefa bem mais complicada.

A grande maioria capricha muito bem na declaração dos valores. Mas trabalha pouco para facilitar a prática deles.

Quantas empresas conheci que diziam tornar seus clientes uma prioridade. “O consumidor está no centro de tudo que fazemos”, “servir nossos clientes é nossa principal missão”. Comportamentos explicados e repetidos à exaustão. Mas na prática, pouco faziam para melhorar a experiência burocrática dos que usavam seus produtos e serviços.

Muitas declarações. Lindas palavras. Mas pouca ação.

Afinal, como lidar com essas situações?

Investigar antes

O melhor a fazer, se for possível, seria evitar os lugares que irão destoar dos seus valores. Para evitá-los é preciso pesquisar.

Antes de aplicar para um posto, procure falar com líderes da empresa. E com outros que a tenham deixado. Este segundo grupo costuma revelar mais sobre a realidade da organização.

Pergunte sobre estilos de gestão, diversidade e inclusão na prática diária.

Observe também o grau de rotatividade da liderança, dos profissionais que trabalham na firma. Há consistência no desenvolvimento dos talentos? Ou muita troca no time?


Ficou em dúvida?

Se você tiver descoberto uma realidade distinta da que esperava, então vale a pena investigar mais a fundo.

Buscar entender por que surgem os valores destoantes que está encontrando no dia a dia. Aqui diversos fatores podem estar acontecendo.

Seria um comportamento de um líder isolado? Ou de um setor em particular?

Muitas vezes a empresa tem uma cultura maravilhosa, mas aquela área específica é liderada por um líder que não comunga dos mesmos princípios.

Noutras, encontrei o inverso. Áreas com líderes excelentes, mas inseridos num ambiente organizacional mais complexo, no qual faltavam alguns comportamentos críticos.

Em ambos os casos, vi sempre profissionais tentando liderar de forma impecável diante de um contexto com pontos discrepantes.

Defender os melhores valores e tentar fazer do espaço de trabalho um melhor lugar é uma opção nobre. Mas há de se refletir sobre o desgaste ao longo do tempo.

Precisar convencer alguém a fazer o que nos parece certo, costuma consumir muita energia.


Outra área, um líder diferente?

Existem organizações incríveis, dignas de todos os prêmios. Mas nas quais alguns líderes, praticantes de comportamentos inadequados, ainda sobrevivem.

É preciso investigar, para ver se esse é o caso com o qual você se deparou.

Buscar outra área, outro líder, em situações assim, pode resolver o problema. Em outras palavras, não é preciso deixar a empresa para encontrar os princípios que tanto espera.

Muitos tomam atitudes precipitadas, sem antes explorar mais profundamente a situação.


Explore outros espaços

Agora, se depois de refletir sobre a situação, você chegar à conclusão de que a diferença de valores encontrada é generalizada e inaceitável, então, é sinal de que você precisará riscar aquele espaço da sua lista.

Provavelmente, será preciso focar em outra empresa.

Mas, por favor, não esqueça de investigar a próxima oportunidade.

Conheci líderes que tomaram a decisão de deixar uma organização, mas escolheram outra ainda mais discrepante por não fazer a pesquisa necessária.

Ao longo da sua trajetória, é provável que você viva algumas situações como as descritas acima. Momentos em que aparecerão valores diferentes do que você defende e acredita.

Será então preciso, entender a real extensão do problema.

Respeitar sempre o que você acredita.

Ter coragem para buscar os ambientes mais adequados.

Essas são minhas recomendações para essas situações.

Desejo a você muito sucesso na carreira.

Se precisar de algum apoio, conte conosco. A SHARE TO LEAD foi criada para apoiar líderes, em momentos críticos como esse.

Acompanhe nossa plataforma, estaremos divulgando mais materiais e recursos por aqui.


Rodrigo

Posts recentes

Ver tudo

Comments


161214 RODRIGO SAN MARTIN 023_edited.jpg

Rodrigo San Martin

Rodrigo foi o primeiro CEO brasileiro a liderar filial europeia de uma grande

multinacional farmacêutica. Foi também o mais jovem latino-americano a liderar o

negócio de dispositivos médicos na região da América Latina, dentro da maior empresa de saúde do mundo.

Arquivo

Tags

bottom of page